Crescimento Portuário Sustentável
Antonio Maurício Ferreira Netto, Diretor do Departamento de Revitalização e Modernização Portuária da Secretaria Especial de Portos (SEP), fala com o site PortoGente sobre crescimento portuário sustentável e a defesa do Meio Ambiente. Leia a entrevista na íntegra_ Porto Gente -Rosângela Ribeiro Gil
08/01/2008 01:40

A defesa do meio ambiente nos portos brasileiros veio para ficar. A avaliação é do Diretor do Departamento de Revitalização e Modernização Portuária da Secretaria Especial de Portos (SEP), Antonio Maurício Ferreira Netto, que está animado com as ações que serão implementadas, a partir deste ano, para que os portos tenham crescimento com sustentabilidade. “Tenho certeza que temos o apoio do ministro (Pedro Brito) de sacrificar, se for necessário, o crescimento pela sustentabilidade”, disse em entrevista exclusiva ao PortoGente.
PortoGente – Uma grande preocupação do mundo hoje é o meio ambiente. Vários setores sociais e econômicos realizam ações para evitar mais destruição ao meio ambiente. Como os portos brasileiros estão se preparando para isso?
Antonio Maurício – Essa é uma preocupação desde o início da criação da Secretaria. Na estrutura da SEP nós temos a minha diretoria (de revitalização e modernização portuária), que tem uma coordenação específica de projetos e estudos ambientais. Com essa estruturação, nós temos a capacidade de agir horizontalmente em todas as ações da secretaria com esse viés ambiental. A nossa preocupação ambiental é muito ampla. Ela abrange inclusive o conceito de saúde.
PortoGente – Como tem sido o trabalho?
Antonio Maurício – Nós estamos trabalhando bastante. Pretendemos a partir do início de março estabelecer diretrizes ambientais para os portos. Para isso, estamos trabalhando em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, com o Ibama. Paralelo a isso, estamos trabalhando na prevenção de epidemias, na eliminação de vetores.
PortoGente – Quais seriam as diretrizes ambientais portuárias?
Antonio Maurício – Estamos estabelecendo uma série de procedimentos gerais. São diretrizes gerais que vão orientar as administrações portuárias a trabalhar com esses procedimentos ambientais de forma mais ampla. Nós estamos estabelecendo uma certa regra para as unidades de gestão ambiental dos portos. Essas diretrizes vão ajudar as unidades a se organizarem, a trabalharem com os órgãos ambientais e a terem, também, uma visão mais ampla da questão ambiental com viés, inclusive, da relação do porto com a cidade. Porque, na verdade, essa relação ambiental porto x cidade é muito complexa. A nossa intenção é de preservar o meio ambiente urbano e o meio ambiente de trabalho. Nós estamos contratando a USP (Universidade de São Paulo), assinamos um contrato no final do ano.
PortoGente – Como será essa parceria?
Antonio Maurício – Nós vamos estudar, por exemplo, toda a questão de resíduos nos portos. Vamos fazer esse estudo inicialmente em Santos, depois pegaremos mais seis unidades portuárias. Vamos analisar a qualidade e os tipos de resíduo que o porto produz e recebe. Qual é a destinação final que ele (o resíduo) tem. Vamos fazer um diagnóstico completo para também formular diretrizes de como trabalhar com resíduos sólidos.
PortoGente – Dá para conciliar portos funcionando a pleno vapor e meio ambiente?
Antonio Maurício – Dá para conciliar, porque no mundo todo se concilia. Eu sempre dou um exemplo. Você imagina um porto na Normandia, que foi bombardeado na Segunda Guerra Mundial, você tem resíduo de tudo quanto é jeito, até radioativo, e você lá faz operação portuária. É tudo questão de planejamento, técnica e vontade política. Na verdade, o nosso ministro (Pedro Brito) tem uma vontade política muito grande nessa questão do crescimento sustentável dos portos. Se tiver de sacrificar esse crescimento pela sustentabilidade, nós teremos o apoio do ministro total.
PortoGente – E na questão da dragagem?
Antonio Maurício – Na questão dos sedimentos da dragagem estamos tentando fazer um projeto que faça uma identificação prévia dos sedimentos de todos os portos que vamos trabalhar. De maneira que, além de facilitar esse trabalho de licenciamento, você já trabalha na área de despejo adequada. Toda a questão do meio ambiente tem de cumprir regras e ter planejamento para cumpri-las.
PortoGente – São os portos ajudando a não aumentar o aquecimento global?
Antonio Maurício – Você tocou num ponto interessante. Não aumentar o aquecimento global significa você mudar o padrão energético de alguma coisa. Isso a logística se encarrega. Ao invés de você ter movimentação de logística primária, que é fazer micro deslocamento para levar uma coisa vazia para um lugar cheio, você faz um planejamento logístico mais amplo, envolvendo mais técnica. Mudança de modal para o modal ferroviário ou mesmo aquaviário para fazer transbordo. Coisas que precisam de planejamento para a atividade portuária, e de transporte. Com isso, já estaremos contribuindo para uma diminuição do impacto no caso específico do aquecimento global. Essa atividade é mais difícil? É, porque nessa atividade deve-se fazer um rearranjo interno, ter centros de logísticas bem claros, tem de ter deslocamentos concentrados em algumas vias. É um trabalho mais de médio e longo prazo. Agora, saindo um pouco do porto, transferir para uma hidrovia, por exemplo, a cada barcaça 160 caminhões você está ganhando muito. No caso específico do porto, imagina uma navegação de cabotagem quantos caminhões você tira da estrada. O balanço energético pela eficiência e pela logística é muito positivo e vai contribuir muito com a questão ambiental. E pensar que podemos usar, no futuro, até o crédito carbono.
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