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Presidência da República Brasil, um país de todos
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Clipping Portuário

Brasil e Espanha firmam convênio
A Tribuna - 9/10/2009 - Porto e Mar - Página C8
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Da Redação

Os governos do Brasil e da Espanha vão cooperar em projetos de planejamento portuário e de gestão e logística dos complexos marítimos. A parceria inclui troca de tecnologia e dados eletrônicos, segundo um acordo assinado na manhã de ontem, na capital espanhola, Madri.
Válido por dois anos, o convênio foi firmado pelo presidente de Portos do Estado da Espanha, Fernando González Laxe, e pelo ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos do Brasil (SEP), Pedro Brito.
Conforme o acordo, os países vão cooperar no planejamento e na dragagem dos acessos portuários, na implantação e na utilização de sistemas de troca de dados eletrônicos, além do estabelecimento de plataformas de comércio eletrônico. Cada nação terá de financiar sua própria participação nas atividades.
Para o ministro Pedro Brito, a partir dessa parceria, o Brasil pretende "absorver" tecnologia e "ampliar" as relações comerciais. Ele ressaltou que os complexos marítimos nacionais não devem competir entre eles, mas com o mundo. O titular da SEP ainda elogiou o sistema espanhol de portos, qualificando-os como "muito competitivos".
Comentando a importância do convênio, González Laxe defendeu a integração dos portos espanhóis com os de outros países, passo estratégico para que suas instalações se tornem "a porta atlântica" ao continente europeu.
Para a autoridade espanhola, a atividade portuária emerge como "a mais global" e que será a primeira "a sentir" a recuperação econômica.
Os dois representantes declararam que facilitarão a cooperação dos setores público e privado para estimular os investimentos mútuos.

VIAGEM
O ministro Pedro Brito realiza uma série de visitas a portos europeus até o início da próxima semana. Segundo a SEP, ele só deve retornar ao Brasil na terça-feira.
Executivo defende cabotagem
A Tribuna - 9/10/2009 - Porto e Mar - Página C8
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Da Redação
DIOGO CAIXOTE

O Brasil deve ampliar o uso da navegação de cabotagem, para que seus portos se desenvolvam de forma competitiva no mercado pós-crise econômica internacional. A recomendação é do diretor da Autoridade Portuária de Vigo, na Espanha, Luis Lara Rubido, que também defende a aplicação de investimentos pesados em infraestrutura como uma das soluções para tornar as operações mais eficientes e baratas no setor.
De seu escritório em Vigo, o executivo espanhol participou ontem de uma videoconferência, durante o Simpósio Internacional de Gestão em Ambiente Portuário (Sinap), realizado até hoje, na Cidade, pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), com apoio de A Tribuna. Sua apresentação foi mediada pelo professor Luis Caramés Viétiez, da Universidade Santiago de Compostela, que estava no evento.
Segundo Rubido, a cabotagem ­ navegação entre portos de um mesmo país ou, eventualmente, de um bloco comercial ­ é a opção mais eficaz para reduzir custos logísticos. Esse tipo de serviço, normalmente, se torna atraente em períodos de recessão, porque é mais barato que os modais terrestres, ainda mais quando há uma redução na oferta de cargas.
O diretor da Autoridade Portuária de Vigo contou que a cabotagem é uma opção importante e consolidada para a troca de cargas na Europa. O complexo que ele dirige, por exemplo, tem serviços diários com conexão para Le Havre e Nantes, ambos na França, e Algeciras, o maior porto da Espanha.
"Para o Brasil e outros países sulamericanos, a cabotagem é extremamente acertada porque o mercado se concentra no litoral do País", destacou, ao ser informado por participantes do seminário que a maior parte das capitais brasileiras é de cidades portuárias.

CRISE
Apesar da recomendação feita por Rubido, o Porto de Vigo não vive seus melhores dias. O complexo acumula quedas em movimentação de mercadorias que podem chegar a 60%.
Para combater o decréscimo, o porto irá aumentar sua infraestrutura. Parece contraditório, mas é a melhor forma de se preparar para o pós-crise, afirmou Rubido. O complexo prepara ampliações em seus terminais e acessos.
A movimentação de automóveis caiu 30% neste ano; e a de contêineres, 20%. "E só não foi pior porque armadoras como a Maersk e a MSC mantiveram suas linhas regulares em Vigo".
O Porto de Santos deve fechar este ano com um crescimento de 0,3% sobre o período anterior.

Ogmo não vai à reunião com sindicatos e frustra portuários
A Tribuna - 9/10/2009 - Sindical - Página C5
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Da Redação
ERALDO JOSÉ DOS SANTOS
A ausência de representantes do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) ontem, às 12 horas, na Câmara de Santos, frustrou os sindicalistas do Porto que os aguardavam para a assinatura de documento que restabelece o entendimento no cais. Faltaram ao compromisso op residente do Ogmo, Querginaldo Carvalho, e a superintendente do órgão, Sandra Gobetti.
No dia anterior, após uma tensa audiência pública, também nas dependências do Legislativo, ambos se comprometeram a não promover qualquer corte no quadro de trabalhadores do Ogmo e a cancelar as punições aplicadas nos últimos seis meses ­ muitas das quais implicam em suspensão do trabalho e pode acarretar o desligamento.
Com a ausência ontem, o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Silva, o Nei, chegou a propor uma paralisação no Porto, pois os sindicatos já haviam aprovado a greve. Prevaleceu a ponderação de aguardar até as 11 horas de hoje.
Nei tem claro que o Ogmo não quer assinar o acordo. "Eles não querem atender nossas reivindicações e estão preparando outra armadilha. Já deveríamos sair daqui com um movimento".
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Portuário (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, "o Ogmo quer romper o que deixou acordado ontem (quarta-feira)". Ele considera que é preciso criar um grupo de trabalho para rever todas as diretrizes do Porto. "Cada segmento acha que manda mais que o outro".
Robson Apolinário, presidente do Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport), tem outra posição. "Prefiro não acreditar que tenham voltado atrás, pois seria uma desfaçatez, um desrespeito com as lideranças sindicais, com os trabalhadores e com a comunidade. Eles estiveram na casa do povo".
O presidente da Comissão Especial de Vereadores, Manoel Constantino, pela manhã, recebeu uma ligação do presidente do Ogmo, solicitando uma cópia da ata da audiência pública do dia anterior, para ser avaliada pelo corpo jurídico do órgão. Por essa razão justificou a ausência e disse que compareceria hoje.

A Tribuna tentou falar com os dirigentes do Ogmo, mas não obteve retorno.
Mercado Regional
A Tribuna - 9/10/2009 - Economia - Página C2
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Megafusão I
Com planos de se instalar no Porto de Santos, a ETH Bioenergia (Grupo Odebrecht) e a Brenco anunciaram ontem que vão formar uma aliança, criando a maior produtora de etanol de cana-de-açúcar do mundo.
Megafusão II
Especialistas no setor sucroalcooleiro acreditam que, mesmo com a fusão, os projetos dos dois grupos para o complexo marítimo não sofrerão grandes alterações.
Megafusão III
A Odebrecht chega a Santos como a principal acionista no terminal Embraport, cujas obras devem ser retomadas no início do próximo ano. O etanol está entre as cargas que serão movimentadas na instalação. Já a Brenco prepara a construção de um álcoolduto, que irá das regiões produtoras no interior do País até o Porto. Seu projeto prevê a construção de um terminal offshore na costa de Guarujá, que atenderá principalmente cargueiros de grandes dimensões.
Contêineres
Os efeitos da crise internacional ainda podem ser sentidos em alguns setores da economia. Segundo o diretor de Planejamento e Controle da Codesp, Renato Barco, o total de contêineres movimentados no Porto de Santos este ano deve chegar a 2,26 milhões de TEUs, uma queda de 15% em relação a 2008.

Ecovias inicia obras no acesso ao pólo de fertilização
A Tribuna - 9/10/2009 - Indústria - Página E3
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009

DA REDAÇÃO
A Ecovias iniciou as obras de abertura e pavimentação da nova alça de acesso à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, no km 262, complementares ao Viaduto Cecílio do Rego Almeida, no polo de fertilizantes de Cubatão. A obra, situada a cerca de 220 metros do viaduto, no trecho de interligação da marginal de acesso à Usiminas, atende a uma reivindicação das comissões de Logística do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em Cubatão, e da Codesp, em Santos. Em maio último o diretor de Logística e Suprimentos da Fosfertil e dirigente do Centro de Integração e Desenvolvimento Empresarial (Cide) da Baixada Santista, Luiz Antonio Veiga Mesquita, protestou contra a demora ¬ por parte do Governo do Estado ¬ em autorizar o início da obra, considerada essencial para resolver problemas de acesso ao polo e aos pátios de estacionamento de veículos instalados naquela área. Com a conclusão dessa variante, prevista para 15 de dezembro, os veículos procedentes do Ecopátio ou do Centro de Cubatão conseguirão ingressar em ambos os lados da Rodovia Cônego Domênico Rangoni com mais facilidade, diminuindo o fluxo de tráfego na Avenida Plínio de Queiroz, que dá acesso às fábricas da Fosfertil e Bunge. A obra custará R$ 1,5 milhão.

Ogmo adia acordo e portuários ameaçam greve
Diário do Litoral – Sindical
09 de outubro de 2009 – Página 07
O Porto de Santos sofre novamente uma ameaça de greve. Isso porque o acordo que seria firmado por escrito ontem pelo Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) garantindo que não haverá cortes de avulsos no quadro atual e a suspensão de todas as punições registradas nos últimos seis meses não ocorreu. A assinatura do compromisso foi adiada para hoje, às 11 horas, na Sala Princesa Isabel, a pedido do presidente do Ogmo, Querginaldo Alves Camargo, que havia prometido atender as reivindicações dos trabalhadores em audiência pública na última quarta-feira. Diante do adiamento da assinatura da ata, sindicatos portuários decidiram esperar até hoje, às 11 horas, para que o Ogmo cumpra com o prometido, caso contrário será deflagrada greve no Porto de Santos.
A Comissão Especial de Vereadores que promoveu a audiência pública na última quarta-feira, presidida pelo vereador Manoel Constantino dos Santos (PMDB), informou que o Ogmo solicitou a cópia da ata a ser assinada para que o departamento jurídico do órgão possa avaliá-la.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, os trabalhadores portuários correm o risco de ver o Ogmo ‘voltar atrás’ com sua promessa. “Se isso acontecer, os dez sindicatos imediatamente se reunirão para definir a paralisação. Temos que defender os trabalhadores”, afirmou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Portuária, Everandy Cirino dos Santos, afirmou que em respeito ao trabalho realizado pelo Legislativo, os sindicatos portuários decidiram esperar até hoje para que o documento que garanta as reivindicações dos avulsos seja assinado. “Se o Ogmo não assinar, vamos discutir o dia da paralisação. Não é só a questão das demissões ou punições, é todo o contexto do setor portuário, deveria ser criado um grupo de trabalho”, defendeu.

Reivindicações
Em audiência pública na quarta-feira, na qual os trabalhadores portuários lotaram a galeria da Câmara e protestaram contra punições, demissões e péssimas condições de trabalho, o Ogmo se comprometeu a cancelar mais de 200 Termos de Ocorrência Portuária (TOP’s) – termo dado às punições recebidas por trabalhadores portuários – dos últimos seis meses e garantindo que não haverá cortes de avulsos no Porto de Santos.

Ogmo
A reportagem do DL procurou ontem o Ogmo para comentar o pedido de adiamento da assinatura da ata, porém não conseguiu contato com a assessoria de imprensa do órgão.
Investimentos do PAC chegam a 53,6% do total para 4 anos
DCI - 9/10/2009 - Política Econômica - Página A4
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009
SÃO PAULO - A Casa Civil divulgou ontem o segundo balanço quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de 2009 e os números são preocupantes: só 53,6% dos aportes previstos para o período de quatro anos foram feitos. De acordo com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff diversas obras já foram concluídas e outras ainda serão.
"A nossa meta não muda não. Nós vamos fazer o maior esforço para que a gente cumpra os 100% das obras e projetos", declarou.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o PAC está cumprindo os objetivos básicos, pois o país apresentou capacidade de recuperação diante da crise econômica, em grande parte, por causa desses investimentos. "Portanto, um dos objetivos do PAC, que é a geração de empregos, mesmo com as dificuldades da crise, está sendo alcançado".
Para o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto a meta é positiva e deve ser levada adiante, contudo será muito difícil de cumpri-la em tão pouco tempo. "Eles não vão conseguir cumprir todas as obras, pois no ano que vem as despesas públicas devem crescer muito, mas é importante estabelecer objetivos e tentar alcançá-los", explicou .
As informações presentes no balanço apontam que no esforço anticrise, os investimentos do PAC foram ampliados, de R$ 504 bilhões para R$ 646 bilhões no período de 2007-2010. De janeiro de 2007 a agosto de 2009, chegaram a R$ 338,4 bilhões. Este montante equivale a 53,6% do previsto para os quatro anos. As ações concluídas totalizam R$ 210 bilhões, ou 33,3% do total.
"O Balanço mostrou que os padrões de investimentos estão mantidos, o total gasto com os projetos é muito baixo, até setembro 2009, a relação está em 57%, sendo que entre janeiro e outubro de 2008 a relação estava em 55%. Melhorou em termos brutos e os investimentos nominais também estão aumentando, mas é preciso um crescimento maior".

Na divisão dos investimentos, as estatais respondem por R$ 107,1 bilhões e o orçamento geral da União (OGU) por R$ 28,2 bilhões. O setor privado contribuiu com R$ 83,6 bilhões. Os financiamentos ao setor público totalizam R$ 5,7 bilhões e os empréstimos à pessoa física alcançam R$ 113,8 bilhões.
Em 2009 foram aplicados R$ 98,5 bilhões no PAC. As estatais participaram com R$ 33,8 bilhões. O OGU liberou R$ 9,5 bilhões e o setor privado, R$ 83,6 bilhões. Os financiamentos para a pessoa física atingiram de R$ 33,4 bilhões, e para o setor público, R$ 2,7 bilhões. Em relação ao PAC orçamentário, dos R$ 21,9 bilhões previstos para 2009, R$ 16,4 bilhões é o valor proporcional a nove meses. Destes, R$ 13,2 bilhões foram empenhados. Em relação ao mesmo período de 2008, o empenho é 28% maior. Os pagamentos somam R$ 9,5 bilhões, sendo R$ 2,9 bilhões do orçamento atual e R$ 6,6 bilhões de restos a pagar inscritos no exercício.
Na comparação com 2008, o valor pago é 19% maior, sendo que o valor empenhado no período foi de 13,2 bilhões de reais, contra 10,3 bilhões de reais verificados no mesmo período do ano passado. No setor de Energia, os pagamentos feitos pelas estatais e setor privado atingiram 72% do previsto para o período. O PAC envolve o monitoramento de 2.392 ações, sem contar Saneamento e Habitação. Em agosto de 2009, 22% estão concluídas, 70% com andamento adequado, 7% em situação de atenção e 1% com ritmo de execução preocupante, pelo critério de valor. Por quantidade, são 39% concluídas, 52% adequadas, 7% em atenção e 2% preocupantes.
Dilma, que lembrou durante a entrevista ser a "mãe do PAC", criticou as administrações anteriores ao governo Lula.
"Vocês falam que as obras estão no papel e eu sempre digo que quem dera se quando a gente tivesse chegado as obras estivessem no papel", disparou. "Elas não estavam no papel. Nós tivemos que colocá-las no papel e depois tirá-las para passar para a realidade", completou.
Segundo o documento divulgado pela Casa Civil com o balanço do programa, a projeção do Ministério da Fazenda é que, em 2009, os investimentos do governo central atinjam 1,2% do PIB e os da Petrobras, 1,7%.
Ainda de acordo com o relatório houve um aumento do investimento do setor privado em saneamento. Participação privada não passava de 6% do setor até 2006, chegou a 7,5% em 2007, a 9,8% em 2008 e tem a expectativa de chegar a 30% nos próximos 5 anos. Salto explica que não é satisfatório que empresas privadas e governamentais invistam mais capital nas obras do PAC enquanto o Governo não acompanha a proporção de investimentos.
"O problema é que ainda é muito tímida a verba destinada ao PAC por meio do governo, inclusive para impulsionar os investimentos de outros setores. As estatais investem mais, só que fora do PAC já faziam isso. O governo deveria ter investido mais, era só esperar mais tempo para reajustar a folha de pagamentos dos funcionários públicos para aumentar os investimentos e o número de obras e assim ajudar o Brasil a passar pela crise mundial", frisou Salto .

karina nappi
De acordo com balanço anunciado ontem pelo governo, até agosto, foram alocados 53,6% dos recursos previstos para investimentos até o final de 2010, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Exportações em recuperação alimentam otimismo global
Valor - 9/10/2009 - Internacional - Página A11
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Alex Frangos, The Wall Street Journal, de Hong Kong
Dados recentes de alguns países exportadores mais importantes alimentaram a esperança de que o comércio internacional esteja em recuperação, o que pode ser o elo que falta na nascente recuperação econômica mundial.
Brasil, Coreia do Sul e Taiwan já divulgaram os dados do comércio em setembro e todos mostraram expansão frente ao mês anterior, embora o nível ainda esteja bem menor que os níveis de um ano atrás. Apesar de os números mais recentes não indicarem uma recuperação completa, confirmam a tendência de melhora no comércio mundial nos últimos meses.
"Parece que há uma recuperação no comércio, mas ainda é cedo para dizer se é resultado do estímulo fiscal ou é espontâneo", disse Mark Matthews, estrategista focado na Ásia e Oceania do banco de investimento Fox-Pitt Kelton, em Hong Kong.
Um dos fatores que dão suporte a essa hipótese é que os mercados mundiais ainda estão esperando para ver se uma demanda tardia na temporada de fim de ano pode levar os varejistas dos países ricos a aumentar os pedidos.
Taiwan informou esta semana que o valor total de suas exportações caiu 12,7% em setembro frente a um ano atrás, um declínio muito menor do que em agosto, quando foi de 24,6%. Semana passada a Coreia do Sul divulgou uma tendência semelhante. O valor de suas exportações caiu 6,6% frente a um ano atrás, o menor declínio dos últimos 11 meses, e subiu a um ritmo dessazonalizado de 11,1% em relação ao mês anterior. As exportações brasileiras foram um pouco mais altas em setembro do que em agosto, mas ainda estão 31% menores que o nível de 2008, devido, em parte, ao declínio das commodities este ano.
Mas nem tudo são boas notícias no mercado mundial. A Malásia informou ontem que suas exportações caíram 19,8% em agosto frente a um ano atrás. Foi mais do que os economistas esperavam e representa um declínio de 2% em relação a julho.
A desvalorização recente do dólar continua a dificultar a vida de vários países que contavam com a recuperação do comércio mundial para impulsionar suas economias. Especialmente o Japão, que sofre com o encarecimento de suas exportações causado pela valorização do iene. O Japão informou ontem que as exportações voltaram a melhorar em setembro, crescendo a um ritmo dessazonalizado de 3,2%. Mas ainda são 37,1% menores do que há um ano.
Até pouco tempo atrás, a Coreia do Sul e Taiwan se beneficiavam da relativa fraqueza de suas moedas durante a crise financeira. Mas essa tendência está começando a mudar, à medida que o dólar se desvalorização em relação a um número crescente de moedas, e não só o iene. Brasil, Coreia do Sul e Taiwan tiveram de intervir em seus mercados cambiais nos últimos dias para desacelerar a valorização de suas moedas em relação ao dólar. Se essas moedas se desvalorizarem demais, podem prejudicar setores exportadores que concorrem com a China, que manteve inalterado o câmbio entre o yuan e o dólar.
Um quadro mais completo sobre o comércio mundial deve surgir nos próximos dias. Os EUA divulgam hoje seus números do comércio internacional para agosto. A China divulga segunda-feira os dados do comércio em setembro. O Fundo Monetário Internacional calcula que o volume de comércio mundial vai cair 11,9% este ano e crescerá 2,5% no ano que vem.
Uma pergunta importante em relação ao comércio mundial é se a demanda dos consumidores americanos e europeus vai impulsionar uma corrida tardia às compras quando começar a temporada de fim de ano, no mês que vem. Os pedidos para o fim do ano tradicionalmente começam no meio do ano. Mas este ano, os varejistas dos países ricos adiaram as decisões até o último minuto ou estão fazendo pedidos menores com mais frequência. Eles não querem uma repetição do ano passado, quando os estoques permaneceram cheios enquanto a demanda diminuía por causa da crise financeira.
"Tem sido bem devagar", diz Andy Lau, que chefia a Calan Worlwide Ltd., um pequeno exportador de Hong Kong de brinquedos e badulaques para os EUA e Europa. Ele diz que os pedidos estão chegando aos poucos mas ainda é muito menos que os níveis de alguns anos atrás. Os pedidos de fim de ano ainda não começaram a chegar e ele espera que os compradores finalmente comecem a aparecer nas feiras e convenções de outubro.
Alguns acreditam que os varejistas dos países ricos subestimaram a demanda, o que cria as condições para uma corrida de última hora no comércio internacional para a temporada de compras de fim de ano.
Russell Napier, estrategista global da CLSA Asia-Pacific Markets, acha que as previsões negativas sobre a economia não se concretizarão no curto prazo porque as empresas simplesmente estavam pessimistas demais sobre o reabastecimento dos estoques. "Existe uma possibilidade convincente de ocorrer escassez de brinquedos neste Natal", diz. "As empresas cortaram demais os estoques".
Se for assim, os próximos meses podem assistir a uma expansão de última hora nos serviços de transporte aéreo de carga. Até agora, contudo, isso não aconteceu. Os carregamentos aéreos de Hong Kong para a América do Norte, por exemplo, subiram levemente de março a agosto, último mês cujos dados estão disponíveis. Mas ainda estão muito menores que um ano atrás. Foram transportadas 30 mil toneladas de carga para a América do Norte em agosto, ante 35 mil ano passado e 40,5 mil em 2007.


Emergentes devem atrair mais IED do que ricos
Valor - 9/10/2009 - Internacional - Página A11
Sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Bloomberg
Este ano os mercados emergentes deverão atrair mais investimento estrangeiro direto (IED) do que o mundo desenvolvido pela primeira vez, disse Laza Kekic, diretor de serviços de prognóstico por país da Economist Intelligence Unit (EIU). A crise financeira mundial desacelerou menos os afluxos de investimento direto canalizados para os mercados emergentes como China e Brasil do que os destinados aos países desenvolvidos, disse Kekic em relatório divulgado pela Columbia FDI Perspectives, da Universidade de Columbia.
Os investimentos estrangeiros diretos para os mercados emergentes vão cair 35%, para US$ 533,9 bilhões, em 2009, enquanto os países desenvolvidos deverão registrar um declínio de 52%, para US$ 441,3 bilhões, disse o relatório.
A participação dos mercados emergentes nos investimentos mundiais de 2009 "quase certamente serão os mais altos já registrados", escreveu Kekic.
O PIB da China cresceu 7,9% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2008, recuperando-se em relação ao crescimento mais lento de quase uma década, quando o pacote de incentivo governamental de US$ 585 bilhões e o total recorde de novos empréstimos, de US$ 1,1 trilhão, impulsionaram a produção industrial e as vendas do varejo chinesas.
No Brasil, o PIB cresceu 1,9% no período abril-junho em relação ao trimestre anterior.
O JPMorgan recomendou que os investidores comprem ações dos mercados emergentes e vendam as dos países avançados, uma vez que as economias em desenvolvimento estão se recuperando mais rapidamente da recessão mundial.
"A crise financeira e econômica de 2008 infligiu poucos danos estruturais às economias dos mercados emergentes, que agora conseguirão se recuperar muito mais depressa que as economias dos mercados desenvolvidos", escreveu Jan Loeys em relatório. O Índice MSCI de mercados emergentes subiu 66% este ano, comparativamente ao avanço de 24% do Índice MSCI de mercados desenvolvidos.