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Clipping Portuário

Roque quer maior participação de agentes marítimos
A Tribuna - 6/1/2010 - Porto e Mar - Página C8
Quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ampliar a participação dos agentes marítimos nas discussões de temas ligados ao comércio exterior brasileiro. Esta é a meta principal da nova direção do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), que tomou posse ontem, tendo como presidente o consultor da Aliança Navegação e Logística, José Roque.
Quase cinco décadas de experiência deram a Roque conhecimento suficiente para que se tornasse personalidade influente do setor de navegação. Na gestão anterior, ele já era um dos principais interlocutores nas relações com as autoridades intervenientes da atividade portuária. Em 2008, atuou com habilidade quando os armadores tiveram dificuldades para a obtenção de livre prática para atracação no cais, por ocasião da greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao chegar ao posto mais alto do Sindamar, Roque acumula, automaticamente, a vice presidência da Federação Nacional das Agências de Navegação (Fenamar).
A direção do Sindamar pretende brigar por mais espaço nas câmaras setoriais dos órgãos intervenientes da atividade portuária, como a Vigilância Sanitária, o Serviço de Vigilância Agropecuária, a Receita Federal e a Polícia Federal. A meta é colaborar com a simplificação dos procedimentos operacionais da navegação. "Onde houver um debate sobre o nosso segmento econômico, estaremos presentes", declarou.
Segundo ele, também está prevista uma reforma administrativa no sindicato, a ser implantada "com calma" e por meio da contratação de uma empresa especializada. "Isso deve incluir um novo organograma", explicou.
A nova diretoria do Sindamar é composta também por André Lettieri (da Unimar, 1º vice-presidente), Sérgio Macário Adão (Cargill, 2º vice-presidente), Ricardo Costa (Libra, 3º vice-presidente), Osmar Couste Aché (Oceanus, 1º tesoureiro) e Nelson Nascimento Rocha (Granel, 2º tesoureiro), entre outros profissionais do setor.
José Eduardo Lopes, que transmitiu o posto de presidente para Roque, deixou o setor de agenciamento para assumir a Diretoria de Desenvolvimento de Novos Projetos na Pandibra McLintock, representante no Brasil dos P&I Clubs, seguradoras internacionais de embarcações.
Durante o evento, Lopes recebeu homenagem da Fenamar pelos serviços prestados.


O desafio de aumentar o saldo da balança comercial
Valor - 6/1/2010 - Opinião - Página A8
Quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A estratégia do governo brasileiro de centrar bateria na expansão dos negócios com os Estados Unidos para melhorar os resultados da balança comercial deste ano tem poucas chances de sucesso no curto prazo. Mais eficiente seria combater os gargalos de infraestrutura, aliviar a carga tributária das exportações e redobrar os esforços para dar mais competitividade à venda externa de manufaturados.
O Brasil fechou 2009 com o saldo de US$ 24,6 bilhões na balança comercial, 1,4% inferior aos US$ 25 bilhões de 2008. O desempenho não é ruim se comparado com a queda de 13% do comércio mundial de mercadorias estimada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2009.
Mas os números brasileiros vão encolher neste ano. O saldo comercial brasileiro deve cair para US$ 11,3 bilhões, de acordo com projeções do mercado financeiro, registradas no boletim Focus do Banco Central, desta semana. Há quem projete números ainda menores. O Bradesco, por exemplo, acredita que o saldo cairá a US$ 3,9 bilhões neste ano.
A explicação é simples: com a expansão das atividades domésticas, as importações crescerão em ritmo superior ao das exportações. Isso já aconteceu entre 2007 e 2008, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,1%, puxando o aumento de 43,4% das importações, enquanto as exportações cresciam 23,2%. Com a freada global de 2009, o PIB brasileiro ficou perto de zero. Em consequência, encolheram as exportações (23%) e as importações (26,2%).
Neste ano, porém, o PIB brasileiro deve crescer entre 5% e 6,5%. O próprio BC projeta 5,8%. Qualquer que seja o número, ficará acima do esperado para o resto do mundo. O FMI estima que o PIB mundial cresça perto de 3% em 2010. Haverá enorme diferença entre o comportamento dos países emergentes, que reagem melhor à crise internacional e devem registrar expansão de mais de 5%, e o das economias avançadas, cuja produção provavelmente aumentará 1,25%. Os Estados Unidos podem crescer 1,5% e a zona do euro, 0,3%. A força compradora dessas regiões continuará, portanto, debilitada, tornando praticamente infrutífero o esforço para aumentar as vendas nesses mercados.
A crise teve forte impacto no mapa das exportações brasileiras em 2009. Os países mais afetados pela turbulência reduziram as compras de produtos brasileiros. As vendas para os Estados Unidos caíram 42,4% e para a União Europeia, 25,8%. Diminuíram também as vendas para América Latina e Caribe (33,7%), Mercosul (29,9%) e África (13,5%).
Só houve crescimento nos negócios com a Ásia (5,9%), puxado pelo aumento de 23,1% nas exportações para a China, cujo PIB deve crescer 8% em 2009 e perto de 9% neste ano. Com esse ritmo, a China tem sido ávida compradora de minério de ferro, produtos siderúrgicos e soja brasileiros. A China tornou-se o maior mercado comprador do Brasil em 2009 com US$ 19,9 bilhões, ultrapassando os Estados Unidos, com US$ 15,7 bilhões. Os Estados Unidos continuam os maiores parceiros comerciais do Brasil, mas por pouca diferença. As importações brasileiras dos Estados Unidos somaram US$ 20,2 bilhões; e da China, US$ 15,7 bilhões. Assim, em fluxo comercial, os Estados Unidos continuam mais importantes com US$ 35,9 bilhões, com a China chegando perto, com US$ 35,8 bilhões.
O interesse do governo brasileiro em ampliar as vendas para os Estados Unidos deve-se ao fato de o mercado americano absorver mais produtos industrializados do Brasil do que a China, que compra principalmente matérias-primas e produtos básicos.
Essa é uma preocupação legítima, uma vez que a participação dos produtos básicos na pauta brasileira de exportações cresceu de 36,9% a 40,7% entre 2008 e 2009. A fatia dos semimanufaturados ficou praticamente estável em 13,5%, e a dos manufaturados encolheu de 46,8% para 43,7%. A mudança no perfil da pauta de exportações acentua o temor de que o Brasil caminharia para o modelo chileno e australiano.
A competição internacional aumentou em um mercado deprimido, o que tende a expulsar os produtores menos competitivos. A valorização do real joga contra o exportador brasileiro de bens de maior valor agregado. Para equilibrar o jogo, é preciso maior desoneração de impostos, melhoria constante da infraestrutura e menos burocracia.