Clipping Portuário
Folha de São Paulo – Dinheiro – B3
Plano prevê triplicar porto de Santos até 2024
Meta é movimentar 230 milhões de toneladas por ano, mas falta de infraestrutura de acesso preocupa
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
O porto de Santos ganhou novas projeções para movimentação de carga de importações e exportações. A nova previsão indica que o porto alcançará 230 milhões de toneladas por ano em 2024. O volume é 2,7 vezes o total movimentado no ano passado, quando o maior porto do país registrou um nível recorde de operações, com 83 milhões de toneladas -crescimento de 2,6%.
O novo plano de crescimento do cais santista, apresentado ontem dentro das comemorações do 118º aniversário do porto, será a base para a elaboração do novo plano diretor. O projeto foi financiado pelo BID e prevê o aproveitamento de áreas dentro e fora dos limites do chamado porto organizado.
A principal preocupação com o anúncio de ontem, admitida pelas autoridades portuárias, é qual a capacidade dos atuais acessos ao porto para suportar um volume de cargas tão superior aos níveis atuais. Para o secretário dos Transportes, Mauro Arce, impressiona o volume de carga projetada para Santos. "Quando ouço esse número de 230 milhões de toneladas, penso: isso não pode ser dividido com outros portos?", diz.
Hoje, o porto de Santos é o principal destino de boa parte da soja plantada e colhida em grande parte do Centro-Oeste e da parte ocidental do Nordeste brasileiro. Em 2009, foram exportados pelo porto de Santos 10,6 milhões de toneladas da região, crescimento de 5,3% ante 2008. Uma parte dessa produção não deveria sair por Santos, mas pela região Norte.
Para o ministro da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito, o crescimento projetado para o porto de Santos será totalmente dependente de uma nova matriz de transporte. Hoje, apenas 20% das 83 milhões de toneladas de carga que passam pelo porto santista chegam ou saem de trem.
Estudo de acessibilidade também apresentado ontem mostra que a atual estrutura ferroviária, operada por MRS e ALL, já possui gargalos. A situação tende a piorar nos próximos anos. "Uma das condições para viabilizar o crescimento do porto de Santos é a mudança da matriz de transporte. O Plano Nacional de Logística e Transporte prevê isso. O governo quer duplicar a participação das ferrovias, de 13%, até 2015", disse Brito.
Para José Roberto Serra, presidente da Codesp, os volumes projetados de 230 milhões de toneladas em 2024 só serão alcançados com maciços investimentos em infraestrutura de acesso. "O porto poderá ter terminais para suportar esse volume, mas isso precisará estar associado aos investimentos em infraestrutura de acesso, com ênfase sobre as ferrovias", afirma Serra.
O Estado de São Paulo – Economia – B2
Porto de Santos vai triplicar em 15 anos
O ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, disse ontem que o Porto de Santos estará pelo menos três vezes maior em 15 anos. Brito participa do lançamento do Plano de Expansão do Porto, resultado de 11 meses de estudos patrocinados pelo BNDES, ao custo de US$ 1,3 milhão. "A mesma coisa vai acontecer com os contêineres. Vamos passar de 3 milhões de TEUs (unidade de medida de contêiner de 20 pés) para 9 milhões de TEUs."
Correção: Porto de Santos será 3 vezes maior em 15 anos – Agencia Estado
REJANE LIMA Agencia Estado
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Tópicos: Porto de Santos, estudo, BID, Pedro Brito
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- O texto enviado anteriormente tem uma incorreção. O estudo de expansão do Porto de Santos foi patrocinado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e não pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segue o texto corrigido.
Santos, SP - O ministro da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, disse hoje que o Porto de Santos estará pelo menos três vezes maior em 15 anos. Brito participou hoje pela manhã do lançamento do Plano de Expansão do Porto, resultado de 11 meses de estudos patrocinados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao custo de US$ 1,3 milhão.
"A mesma coisa vai acontecer com os contêineres. Vamos passar de 3 milhões de TEUs (unidade de medida de contêiner de 20 pés) para 9 milhões de TEUs. Então, isso é uma consolidação definitiva de Santos como hub port (porto concentrador) brasileiro", disse. Ele destacou ainda a mudança do conjunto de acessos terrestres para a região da Baixada Santista. O trabalho do BID prevê um maior equilíbrio entre os modais de transporte de carga para os próximos 15 anos no porto. Em 2005, 58% da carga recebida na cidade vieram por meio de caminhões e 25%, por trem.
A previsão é de que esses números passem para 33% e 32%, respectivamente. A análise também estima um crescimento nos carregamentos que chegam em transporte aquaviário, seja por meio da cabotagem (navegação entre portos no Brasil) ou navegação interior (cargas que vêm pelos rios). Em 2005, 13% das cargas embarcadas e desembarcadas por Santos vieram de transporte aquaviário e a previsão é de que 29% usem esta modalidade em 15 anos
A Tribuna – Porto e Mar – C1
EXPANSÃO. Estudo contratado pelo BID e pela SEP apontou as instalações que serão necessárias para o Porto atender sua demanda
Porto terá investimentos de US$ 3,4 bi, prevê masterplan
Plano de expansão e demanda do Porto de Santos identificou a necessidade de mais oito terminais marítimos no complexo e da mudança no tipo de operação de instalações já em operação
DIOGO CAIXOTE
DA REDAÇÃO
O masterplan, estudo de expansão e demanda do Porto de Santos, prevê o investimento de US$ 3,4 bilhões em novos terminais dentro de cinco anos. Com estes empreendimentos, o cais santista poderá movimentar 230 milhões de toneladas por ano. Serão oito novos terminais, além da Brasil Terminal Portuário (BTP) e do Embraport, ambos em fase de construção, e de sete instalações que terão seus tipos de operação revistos. Apresentado ontem, no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, na presença do ministro dos Portos, Pedro Brito, e de autoridades e empresários do setor, o masterplan detalhou as necessidades do complexo santista para atender sua demanda de cargas nos próximos 15 anos. O levantamento custou US$ 1,3 milhão, valor dividido entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Secretaria Especial de Portos (SEP). Os terminais serão necessários para atender 229,7 milhões de toneladas que deverão ser movimentadas no Porto até 2024, em um cenário otimista, segundo o presidente da Codesp, José Roberto Correia Serra. Em uma análise pessimista, o volume chega a 137,6 milhões de toneladas. Sobre contêineres, o masteplan mostrou um potencial de operação de 9 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2024. Atualmente, esse volume gira em torno de 3 milhões. Quanto aos novos terminais, o levantamento ratificou o potencial de construção de instalações nas áreas hoje ocupadas pelas favelas de Prainha e Conceiçãozinha, ambas na Margem Esquerda (Guarujá). Os estudos apontaram que, nessas áreas, será viável a operação de granéis sólidos vegetais ou mineirais e até contêineres. Os investimentos poderão ir de US$ 188 milhões a US$ 365 milhões, de acordo com a carga selecionada. O masterplan também indicou a implantação de um terminal na região do Itapema, em Guarujá, revelou Serra. As opções de cargas para operação na área são granéis sólidos vegetais ou minerais. O custo dessa instalação será de US$ 210 milhões, para movimentar 13,7 milhões de toneladas por ano, na primeira condição. Na segunda, serão US$ 261 milhões para operar 7 milhões de toneladas anuais. Os investidores também terão disponibilidade de áreas na Alemoa. Nessa região do Canal do Estuário, será possível ter um terminal para movimentar anualmente 1 milhão de TEUs, com recursos de US$ 650 milhões, e outro para 1,6 milhão de toneladas, por US$ 345 milhões.
BARNABÉ-BAGRES
Terminais em áreas reserva- das para o projeto BarnabéBagres também foram propostos no estudo de expansão. O primeiro fica ao fundo da Ilha Barnabé. A unidade poderá movimentar 4,2 milhões de toneladas de granéis minerais por ano, a partir de um investimento de US$ 285 milhões, ou 25 milhões de toneladas de granéis vegetais, ao custo de US$ 350 milhões. Já na Ilha dos Bagres, a proposta é de um terminal para 1,9 milhão de TEUs anuais, orçado em US$ 575 milhões. Porém, segundo o presidente da Codesp, José Roberto Correia Serra, a gleba pode ser ocupada por estaleiros navais e instalações de apoio à cadeia de exploração de petróleo e gás. "O que vai nos dizer qual será a ocupação é o estudo do Barnabé-Bagres", disse o presidente, referindo-se aos projetos entregues por quatro empresas interessadas na implantação do novo conjunto de armazéns e berços de atracação. Serra garantiu que a indicação de ocupação das áreas de Barnabé-Bagres terá de ser "casada" com os estudos apresentados. Para ele, mesmo com as instalações propostas pelo masterplan, o empreendimento será necessário para o Porto.
REVISÃO
O presidente da Codesp tam- bém anunciou a revisão do tipo de operação executada por terminais já instalados, após o encerramento dos contratos de arrendamento. Voltado para granéis vegetais, o Corredor de Exportação, na Ponta da Praia, passará a operar contêineres (800 mil TEUs por ano), com investimentos de US$ 180 milhões. O masterplan apontou a necessidade de compactação dos terminais de contêineres da Ponta da Praia, como incremento operacional. E destacou que o Terminal de Passageiros Giusfredo Santini precisará de US$ 60 milhões para realinhamento do cais, entre os armazéns 23 e29. A obra já é planejada pelo Governo. O Cais do Saboó também deverá passar por uma completa reformulação, concentrando áreas para aumentar sua produtividade. Conforme o estudo, essa região teria potencial para dois terminais. O primeiro seria para 1 milhão de TEUs, ao custo de US$ 190 milhões. O outro, para múltiplo uso. Por fim, o presidente da Codesp revelou a proposta de ampliação dos berços do Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa (Tegla) e da Ilha Barnabé. No Tegla, haverá a necessidade de mais dois pontos de atracação, ao custo de US$ 218 milhões. Na ilha, mais três, por US$ 253 milhões.
CAP analisará propostas a partir de abril
O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) de Santos deverá analisar a partir de abril a viabilidade dos novos terminais propostos pelo masterplan. As instalações sugeridas
no estudo terão de ser incluí- das no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do cais santista para que possam ser implantadas.
Segundo o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos,Pedro Brito,em dois meses As ofertas de áreas serão compiladas pela Codesp,complementadas pelos estudos para a construção do Barnabé-Bagres, apresentado por quatro empresas,e submetidas ao CAP.
"As propostas são os passos iniciais para concluir o plano diretor (PDZ) do Porto de Santos. Queremos ter isso fechado até o final deste semestre. O plano diretor completo com horizontes quinquenais e que terão revisões a cada ano, adaptando até 2024", disse o ministro.
O presidente do CAP santista, Sérgio Aquino, também secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, disse ter tido uma sinalização da Codesp de que a proposta de PDZ será encaminhada em abril. No entanto, isso não garante que os novos terminais propostos no masterplan serão autorizados.
Aquino ressaltou que os conselheiros vão querer saber os parâmetros adotados para a escolha das cargas para cada instalação, por exemplo.
DCI – Serviços – A8
Porto de Santos vai crescer três vezes em 15 anos, prevê Codesp
SANTOS - O Porto de Santos (SP) triplicará de tamanho em 15 anos e espera a captar investimentos da Petrobras para viabilizar áreas de expansão e desenvolvimento para a indústria de petróleo. A afirmação é do presidente da Companhia das Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra. "O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) não captou esses estudos, apenas avaliou a criação de terminais de grãos e contêineres, e também a possibilidade de terminais navais. Mas não descartamos essa possibilidade", afirmou ele, ontem, ao apresentar junto do ministro da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, um estudo sobre a ampliação do Porto santista.
Segundo Brito, o Porto de Santos estará pelo menos três vezes maior em 15 anos. "A mesma coisa vai acontecer com os contêineres. Vamos passar de 3 milhões de TEUs (unidade de medida de contêiner de 20 pés) para 9 milhões. Então, isso é uma consolidação definitiva de Santos como hub port (porto concentrador) brasileiro", disse. Ele destacou ainda a mudança do conjunto de acessos terrestres à Baixada Santista, em que estudo do BNDES terá de prevê equilíbrio entre os modais de transporte de carga para os próximos 15 anos no porto. Em 2005, 58% da carga recebida na cidade vieram por meio de caminhões e 25%, por trem.
Em relação ao segmento de granéis líquidos, fertilizantes e enxofre, o estudo apresentado ontem fala de um quadro que requer aceleração dos negócios. Além da Brasil Terminal Portuário (BTP), que também atenderá este setor, há a implantação de novos berços para este tipo de carga, como Ilha Barnabé e o Terminal de Alemoa, ambos em Santos. A área de Conceiçãozinha será para granéis sólidos.
Gargalo
Sobre a possibilidade do porto se tornar um gargalo para o Estado de São Paulo, Brito comentou que estudos estão sendo apresentados para que não haja somente planejamento para a ampliação do porto, mas também para transportes terrestres, já que as escalas irão aumentar.
"Não podemos sustentar este crescimento baseados em um complexo de rodovias. É preciso investir principalmente em ferrovias. Aliás, isso faz parte do Plano Nacional de Logística e transportes (PNLT), essa mudança da matriz de transportes no Brasil. Pretendemos dobrar o número de ferrovias até 2025, que hoje conta com apenas 13%", salientou Brito. O ministro também comentou que projetos de novas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), ainda serão concluídas para a discussão na Casa Civil na próxima semana.
DCI – São Paulo – C1
Codesp se prepara para expandir porto
SANTOS - O presidente da Companhia das Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra, esteve ontem, em evento que reuniu o ministro Pedro Brito, da Secretaria Especial de Portos, e diversas autoridades de governo e do setor portuário, na apresentação dos estudos de Acessibilidade e o Plano de Expansão para o Porto de Santos.
Organizado com metodologia científica e detalhamento sobre o segmento e a área portuária santista, os dados permitirão, conforme explicou Brito, programar com bastante precisão os rumos do Porto nos próximos 15 anos. Considerando o momento atual, os principais projetos consolidados apontam, num aspecto otimista, para uma movimentação de cargas em 2024 de 230 milhões de toneladas. Atualmente, o Porto tem uma capacidade de atendimento de cerca de 115 milhões e deverá fechar 2009 em torno de 82 milhões de toneladas.
A previsão para 2024 também mostra projetos hoje em andamento atingindo boas marcas de movimentação, o que atrairá mais a Embraport, Santos Brasil, Columbia, entre outras empresas.
A Tribuna – Porto e Mar - C2
Expansão do Porto exigirá construção de rodovia
O crescimento da movimentação de cargas no Porto de Santos, projetado no masterplan, obrigará a construção de uma terceira rodovia de acesso à região, avalia o presidente da Ecorodovias (holding que controla a Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes), Marcelino Rafart Seras. O grupo tem interesse em implantar o novo acesso.
"Se houver o crescimento na demanda de cargas para o Porto, como apresentado pelos estudos, em 10 anos é natural que precise da existência de mais uma rodovia ligando o Planalto à Baixada Santista", avalia o empresário.
Rafart Seras assegurou que, nesta condição, a Ecorodovias tem total interesse na construção da terceira pista, sonho do setor de transporte rodoviário de cargas. Para ele, a solução seria um ajuste na concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes para que a empresa tenha como recuperar o investimento na nova estrada.
"Fazer isso não é novidade. No ano passado, inauguramos três viadutos que não estavam na concessão, mas fizemos com ajuste no prazo. Se precisar, podemos fazer com a terceira pista, da Anchieta ou da Imigrantes".
Seras destacou que ainda há como otimizar o uso das rodovias de acesso à região, que tem pouco tráfego noturno. "Não há ainda um Porto funcionando 24 horas. Se existisse, teríamos um segmento a mais de demanda. Mas, isso não inviabiliza um uso melhor durante todo o dia", disse ele, lembrando que o fluxo de descida atual é sazonal.
ACOMPANHAMENTO
O secretário de Transportes do Estado, Mauro Arce, afirmou que a construção de uma nova pista entre o Planalto e a Baixada Santista é possível. Mas, ele disse que é um caso a ser acompanhado, sem se posicionar efetivamente sobre o mérito do novo empreendimento.
"Eu não imagino o Porto de Santos triplicando sua operação por rodovia, porque seria caótica a situação", analisou o secretário, reforçando sua tese de que a solução para ampliar o volume transportado à região é priorizar cada vez mais o uso da malha ferroviária.
03/02 portogente
Porto de Santos aos 133 anos: 230 milhões de toneladas
No dia em que completou 118 anos, o Porto de Santos já planejou sua vida para os 15 anos seguintes. Aos 133 anos, o maior porto do Hemisfério Sul poderá estar movimentando 230 milhões de toneladas. Hoje são 80 milhões. A projeção é do estudo Plano de Expansão do Porto de Santos apresentado, nesta terça-feira (2), pelo presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra. Boa e significativa parte do setor portuário nacional participou do evento, que contou, ainda, com a presença do ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito. A solenidade foi no terminal de passageiros do Porto.
O estudo, realizado nos últimos 11 meses com o apoio financeiro de mais de um milhão de dólares do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), prevê o reordenamento de espaços do Porto nas margens direita (em Santos) e esquerda (Guarujá) e a construção de novos terminais de granéis sólidos vegetal e mineral e de contêineres.
Ao mesmo tempo em que se expande, o Porto de Santos precisa, também, segundo o presidente da Codesp e o ministro Pedro Brito, garantir a acessibilidade eficiente ao complexo para a entrada e saída das mercadorias. “Não se pode colocar barreiras para as cargas sob pena de ficarmos fora do mercado”, destacou José Roberto Serra.
Por isso, foi apresentado o projeto “Acessibilidade” pelo diretor de planejamento da Codesp, Renato Barco, onde fez um levantamento do que existe hoje em termos de acesso, como rodovias, ferrovias, hidrovias, etc, e o que precisa ser feito para que toda a expansão portuária planejada não pare nos gargalos logísticos.
Presente ao evento, o secretário de Transportes do Estado, Mauro Arce, constatou que a ação do Porto transcende a área da Baixada Santista e admitiu que o complexo portuário “só não vai crescer se não dermos condições para isso”. Ele observou, por exemplo, que há um aumento do transporte de granéis líquidos e que não se pode pensar em transportar todo esse volume por caminhões.
Para resolver vários problemas de acessibilidade, Arce destacou que as obras necessárias, como a implantação de dutovias, demandarão recursos que sairão do Tesouro estadual e nacional
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03/02/2010
BID aponta 12 empreendimentos para Santos – Guia Marítimo
Investimentos totalizam US$ 3,48 bilhões até 2024.
A expansão do Porto de Santos passará pela construção ou remodelação de 12 novos terminais portuários com investimentos estimados em US$ 3,48 bilhões, segundo o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). São cinco instalações para movimentação de contêineres, três para granéis sólidos, duas para líquidos e duas para passageiros. A projeção integra estudo financiado pela instituição, divulgado ontem, dia 2, e está sustentada na previsão, otimista, de que a demanda de cargas rumo ao complexo santista triplicará até 2024, saindo das atuais 82 milhões de toneladas movimentadas em 2009 para 230 milhões de toneladas.
Também no caso do escoamento de contêineres - o filão do setor -, a expectativa é que nos próximos 14 anos o volume destinado a Santos triplique, chegando a 9 milhões de Teus (um contêiner de 20 pés). Hoje, a oferta do complexo é para 3,1 milhões de Teus. Segundo o ministro dos Portos, Pedro Brito, o objetivo é "construir com segurança o plano diretor do Porto de Santos". O levantamento do BID terá revisão anual e levou em conta critérios como o PIB, preços no mercado mundial, câmbio, novas atividades e crescimento setorial.
A lista do BID contempla algumas alternativas de investimentos que poderão ou não ser seguidas pela Codesp, a estatal que administra o porto. Os terminais de contêineres seriam erguidos: na Ponta da Praia (atual corredor de exportação de grãos); no Saboó (com a unificação de áreas cujos contratos estão prestes a expirar, dando ganho de escala); na área de Barnabé-Bagres; na Alemoa; e em Prainha. Os de granéis sólidos, em Conceiçãozinha, Itapema e na área de Barnabé-Bagres. Os de líquidos - cuja oferta é hoje insuficiente para abarcar a demanda -, na Ilha de Barnabé e na Alemoa. Finalmente, os dois terminais de passageiros seriam feitos em Outeirinhos e no Valongo.
"O estudo é orientativo, não é obrigatório", disse o presidente da Codesp, José Roberto Serra. De acordo com ele, o levantamento é uma das ferramentas que serão utilizadas para elaborar o PDZ (Plano de Desenvolvimento e Zoneamento) do porto, instrumento que definirá a vocação das áreas a serem concessionadas e dará a largada a uma nova temporada de arrendamentos. O PDZ deverá estar pronto em até seis meses.
Dentre os terminais listados pelo BID e que desde já a Codesp avalia ter viabilidade, o primeiro a ser licitado será o de contêineres da Prainha, cuja concorrência será aberta no segundo semestre. "Já existem empresas interessadas em participar", disse Serra. Prainha terá capacidade para movimentar 1 milhão de Teus por ano. O investimento estimado é de US$ 365 milhões.
Outros terminais que serão licitados ainda neste exercício são o Tegla (Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa) e o de granéis em Barnabé-Bagres. Além das propostas elencadas pelo BID, a Codesp recebeu outras quatro de empresas interessadas em explorar terrenos nesta última região, considerada a expansão natural do porto porque deve contemplar um novo complexo de terminais que dobrarão a capacidade do cais.
"Temos de capitanear esses investimentos por meio de arrendamentos nos próximos quatro ou cinco anos para que essa oferta de infraestrutura esteja plenamente de acordo com o crescimento da economia", destaca Serra.
OBRAS EM ANDAMENTO
O rol de investimentos listados pelo BID não leva em conta as obras já iniciadas no complexo, que totalizam mais de R$ 4 bilhões e, quando finalizadas, ampliarão a capacidade de movimentação de Santos para mais de 5 milhões de Teus. Isso será possível a partir da entrada em operação dos terminais da Embraport e BTP (Brasil Terminal Portuário) e a da ampliação do Tecondi (Terminal para Contêineres da Margem Direita).
Os demais empreendimentos em andamento são os terminais da NST (para suco de laranja); da Itamaraty (granéis sólidos); as avenidas perimetrais (vias expressas nas duas margens do porto); a dragagem de aprofundamento e derrocagem de pedras; e o sistema inteligente de controle de tráfego de navios (o VTMIS).
"Aí, passamos para a segunda etapa do debate, que são os acessos terrestres fora dos limites do porto. Portanto, precisamos pensar em uma lógica conjunta, desenvolver dragagem, cais, oferta de infraestrutura, acessos rodoviários e ferroviários dentro do porto. Mas, sobretudo, acessos ferroviários, rodoviários e dutoviários nas origens", destacou Serra.
"Em relação à acessibilidade terrestre, se nada for feito será o verdadeiro caos na Baixada Santista", afirmou o ministro Brito. Para tentar dar respostas a esse novo gargalo que será deslocado de dentro do porto para os acessos ao complexo, a Codesp contratou um estudo da USP (Universidade de São Paulo).
No cardápio de medidas a serem adotadas está a racionalização da matriz de transporte responsável pela chegada das cargas - quase 85% de tudo que se destina a Santos chega de caminhão. "O ideal é dobrar a participação da ferrovia, hoje, com apenas 20% da fatia de movimentação do porto", disse o diretor de Planejamento da Codesp, Renato Barco.
"Serão necessárias mais concessões (férreas), expansão e novos investimentos. Ou seja, para o Brasil crescer no seu programa de comércio internacional, terá de mudar sua matriz de transporte", disse Brito.
TETO
Para Brito, hoje Santos ainda não perde carga, apesar de estar chegando próximo ao teto de operação - de 100 milhões de toneladas. "Poderá perder em granéis na hora em que os portos do corredor Norte do País, especialmente Itaqui (MA) e Santarém (PA), estiverem aptos a oferecer possibilidade de escoamento. Mas essa perda significará ganho de competitividade para a economia brasileira, porque lá se tem uma logística muito mais barata para grande parte dos grãos, evitando trazer essas cargas por estrada para Santos e Paranaguá", finalizou.

