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Clipping Portuário

Com longo atraso, enfim a dragagem
A Tribuna – Opinião
22 de fevereiro de 2010 – Página A2
Não há exagero na afirmativa de que a dragagem de aprofundamento do canal do estuário, finalmente iniciada, constitui um fato histórico na existência do Porto de Santos. Afinal, há mais de dez anos que se fala na necessidade desse trabalho, mas, por diferentes ­ e muitas vezes incompreensíveis ­ razões, as coisas não avançavam. Lembra-se, a propósito, que o primeiro pedido de licenciamento ambiental para a iniciativa data de 1999, e só agora, entretanto, é que as dragas estão começando a fazer o serviço, cujo objetivo, na parte física, é desassorear o canal de acesso ao cais, para que passe dos atuais 12 metros para 15 metros de profundidade, e aumentar a largura do mesmo trajeto, de 150 para 220 metros. Os grandes ganhos, porém, serão no campo operacional e sob o aspecto econômico. Em suas condições presentes, o Porto é limitado. Não pode receber os navios cada vez maiores que cruzam os mares, viabilizando o comércio entre as nações. Com as novas medidas, tudo muda. Santos, que responde por 26% do movimento das exportações e importações brasileiras, terá capacidade de ver atracados em seus berços no cais embarcações que carregam até 9 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), e também os grandes navios graneleiros, que demandam 13 metros de fundo para navegar ali com segurança. Em relação ao alargamento do canal, a vantagem será permitir o tráfego simultâneo, em direções opostas, de dois navios no canal, o que deve proporcionar às empresas do ramo expressiva economia de tempo e, por extensão, menos despesas. O fato é que não daria jamais para se falar em expansão do Porto, como tanto se fala agora, caso a dragagem não fosse realizada, e com urgência. De imediato, a capacidade do cais santista será ampliada em 30%, mas os novos empreendimentos projetados, e alguns já em andamento, exigem a infraestrutura adequada, em linha com a existente nos grandes portos do mundo. Sem isto, ou seja, apresentando deficiências graves, o complexo não será competitivo, os investimentos não virão, senão de forma acanhada, todos os seus usuários sairão perdendo, e o País, mais que todos. A dragagem vai custar R$ 199,5 milhões, e tem prazo de um ano para ser concluída. Segundo informações de fontes portuárias, é possível até que fique pronta antes. Todavia, ainda assim a empreitada não estará completa. Ficará faltando o aprofundamento na área dos berços, com o estaqueamento sendo levado até a 15 metros, no sentido de impedir problemas com a solidez do cais. Indispensável, igualmente, será a posterior dragagem de manutenção, para garantir por muitos anos as novas dimensões. Em resumo, são tarefas que nunca se esgotam, mas têm que ser encaradas com determinação, fundamentais que são para o bom desempenho do Porto.

 
Codesp e SEP iniciam dragagem
A Tribuna - 22/2/2010 - Baixada Santista - Página A14
Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
ANTONIO AUGUSTO
DA REDAÇÃO
Depois de iniciar as obras de dragagem de aprofundamento, ontem, que deixarão o Canal do Estuário do Porto de Santos com 15 metros de profundidade, a Secretaria Especial de Portos (SEP) e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) já se preparam para a segunda etapa do projeto: o aumento da profundidade para 17 metros. As obras vão integrar a segunda etapa do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC-2), que será anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março. A intenção é que com o aumento da profundidade do canal, o porto possa receber navios de maior calado e desta forma ampliar a movimentação de cargas. Os planos de expansão da Docas são de que em 10 anos a movimentação de cargas salte de 83 milhões de toneladas/ano para 200 milhões de toneladas/ano. A informação da ampliação da dragagem foi passada na manhã ontem pelo diretor de Infraestrutura e Serviços da Docas, Paulino Moreira Vicente, e confirmada pelo subsecretário de Planejamento e Desenvolvimento Portuário da SEP, Fabrízio Pierdomênico, momentos antes do início dos trabalhos da draga Hang Jun 5001, utilizada no início do aprofundamento em Santos. "Já estamos trabalhando nisso e esta discussão (aprofundamento para 17 metros) está ocorrendo em Brasília, e faz parte do PAC-2. O anúncio, com os detalhes, será feito em março pelo presidente Lula", revelou Pierdomênico. Paulino Moreira afirmou que alguns terminais, localizados nas margens esquerda e direita, já estão aptos a operar com navios de calado maior. "Em relação aos 15 metros, em primeira análise, os terminais de contêineres da Margem Esquerda, do TGG e Temag e o Terminal da Libra do Macuco, já estão aptos, do ponto de vista estrutural, a receber os aprofundamentos. Acredito que no início do segundo semestre diversos berços, principalmente os que ficam na entrada do canal e que tenham estrutura para os 15 metros, já estarão se valendo da dragagem de aprofundamento".
INÍCIO
Pontualmente às 9 horas, a draga Hang Jun 5001 deixou o cais do Armazém 12, com destino ao local definido para o começo dos trabalhos, denominado ponto zero ou trecho 1, e que está localizado a 11,5 quilômetros da entrada no canal de navegação. O trecho compreende desde a Barra de Santos até o Entreposto de Pesca, na Ponta da Praia. A previsão da SEP e da Codesp é de que as obras da primeira fase devam durar entre 9 e 12 meses. As operações vão ocorrer 24 horas. De acordo com Paulino, na primeira fase da dragagem a previsão é que serão retirados 4 milhões de metros cúbicos de material do leito do fundo do canal. "Temos a perspectiva de que dia 1º de março chegue uma draga maior do que essa, a Xing Hai Hu, com capacidade para 13.500 de metros cúbicos. A previsão é de que o trecho 1, que vai do início da entrada do canal até o Entreposto de Pesca, esteja dragado em 75 dias". As obras, que vão custar R$ 199,5 milhões, estão sob responsabilidade do Consórcio Draga Brasil.
Questão ambiental é considerada
Tanto a Codesp quanto a Secretaria Especial de Portos estão empenhadas em realizar o trabalho de dragagem atendendo a todas as determinações ambientais. "Temos a licença liberada desde 25 de novembro de 2009 pelo Ibama e desde 9 de janeiro já implementamos 16 dos 24 programas ambientais", disse o diretor de Infraestrutura e Serviços da Codesp, Paulino Moreira Vicente. Ele afirmou que todo o processo de dragagem será acompanhado de perto por equipes técnicas ligadas ao meio ambiente, da Codesp, Ibama, e da Fundespa (Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas). "A draga está dotada de rastreamento via satélite. Com isso conseguiremos acompanhar passo a passo os trabalhos.Além disso, teremos condições de verificar em tempo real onde está sendo feito o descarte dos sedimentos e qual quadrícula (área) já está liberada. Todos os órgãos que participam do projeto terão as informações on line sobre as operações".
Obstáculos devem ser removidos este ano
O diretor de Infraestrutura da Codesp também falou sobre o andamento das obras de remoção de três grandes obstáculos no canal: a dos restos do navio Ais Giorgis e das pedras do Teffé e Itapema. Segundo Paulino Vicente, o processo de remoção dos restos da embarcação está em curso e deve ser concluído ainda neste ano. "A Codesp contratou uma empresa para avaliar qual deve ser a metodologia para retirar o material que sobrou e verificar se há resíduos dentro e fora da embarcação". Ele frisou que os trabalhos de remoção do material que sobrou do navio seguirão todos os cuidados ambientais necessários. "Temos três possibilidade de metodologia para a retirada, e acredito que dentro de 30 a 45 dias teremos a definição do melhor procedimento, que dará o custo mais apropriado". O Ais Giorgis está afundado desde 1974 no canal do estuário. Sobre a derrocada das pedras do Teffé e do Itapema, Paulino disse que dentro das próximas semanas a SEP deverá divulgar o resultado da licitação. "O início das obras deverá ocorrer simultaneamente com as da dragagem, pois a licença de instalação da dragagem contempla a derrocagem das duas pedras". A Pedra do Teffé fica na direção do Armazém 25, na Margem Direita do lado de Santos, enquanto que a do Itapema fica em frente ao Armazém 12, mais próximo do lado de Guarujá.

Dragagem começa nesta manhã
A Tribuna - 21/2/2010 - Porto e Mar - Página C8
Domingo, 21 de fevereiro de 2010

DIOGO CAIXOTE
DA REDAÇÃO
O capítulo decisivo da novela sobre a dragagem de aprofundamento do Porto de Santos vai ao ar hoje, ou melhor, ao mar. A draga que será utilizada na abertura do serviço foi inspecionada ontem e liberada para começar suas atividades a partir das 8 horas. Esperada há uma década, pelo menos, e com o retrospecto de uma série de prazos para o seu início não cumpridos, a dragagem deve se transformar em realidade quando técnicos da Codesp e da Secretaria Especial de Portos (SEP) acionarem os motores da draga chinesa Han Jung 5001, atracada no cais do Armazém 12. Com capacidade para o transporte de até 5 mil metros cúbicos de sedimentos na cisterna, o equipamento vai inaugurar a principal obra de ampliação da infraestrutura portuária no País. Os trabalhos vão elevar a profundidade do Canal do Estuário, que hoje varia entre 12 e 13,4 metros, para 15 metros. Para se chegar a este momento, um longo rito burocrático teve de ser seguido. Primeiro, do licenciamento ambiental. Depois, da licitação que resultou na escolha do consórcio Draga Brasil, para a execução do projeto por R$ 199,5 milhões. O montante será custeado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). E, por fim, dos preparativos para o começo dos serviços. Nas últimas semanas, uma série de autorizações teve de ser expedida. A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), por exemplo, permitiu a operação da draga e deu o aval ao projeto-executivo da obra. A SEP abriu as análises sobre o plano de trabalho e emitiu a ordem de serviço na última quinta-feira. Ontem, houve a implementação de equipamentos na draga para o controle do serviço. Estes aparelhos vão averiguar o volume retirado do fundo do estuário e o cumprimento dos programas ambientais exigidos pelo Ibama, quando expediu a Licença de Instalação (LI) do projeto de aprofundamento. Por último, os técnicos da SEP, da Codesp e do consórcio começaram a fazer os testes de operação dos equipamentos. Até o final da tarde, este serviço não tinha sido concluído.

Porto inicia dragagem e praias são monitoradas
A Tribuna - 20/2/2010 - Capa - Página 1
Sábado, 20 de fevereiro de 2010

APROFUNDAMENTO DO CANAL
Serviço no cais, que começará amanhã, terá acompanhamento de programas ambientais
A Secretaria Especial de Por- tos e a Codesp confirmaram para amanhã a dragagem de aprofundamento do Canal do Estuário. A obra é tida como o principal projeto de expansão do Porto de Santos. Impactos do empreendimento nas praias serão acompanhados por uma geóloga.

Nova dragagem começará amanhã
Principal projeto de infraestrutura do Porto de Santos, a dragagem de aprofundamento do Canal do Estuário começará amanhã, às 8 horas, segundo a Secretaria Especial de Portos (SEP) e a Codesp. A expectativa é que os usuários do complexo marítimo comecem a se beneficiar da obra em meados deste ano.
Originalmente, os trabalhos começariam hoje. Mas o início teve de ser adiado pois não houve tempo para uma última inspeção dos equipamentos que serão instalados nas dragas, para controlar a operação. Esses aparelhos vão registrar, por exemplo, o volume retirado do estuário e descartado.
Segundo a assessoria de imprensa da SEP, essa inspeção será realizada hoje por técnicos da Codesp, acompanhados pelo subsecretário de Planejamento e Desenvolvimento Portuário da pasta federal, Fabrizio Pierdomenico. A Secretaria decidiu não divulgar a que horas ocorrerá a fiscalização.
Ontem, foram definidos os últimos detalhes para o início dos trabalhos. O ministro chefe da SEP, Pedro Brito, assinou a ordem de serviço da obra pela manhã.
Também ontem foi emitido o aval da Capitania dos Portos de São Paulo, que inspecionou e autorizou o uso da draga Han Jung 5001, que abrirá os serviços no complexo. O órgão ainda concordou com o roteiro de execução dos trabalhos no estuário santista, afirmou o capitão dos portos paulistas, Antonio Sérgio Caiado de Alencar.
Os trabalhos vão começar pelo chamado trecho 1, que vai da Barra de Santos até o Entreposto de Pesca, na Ponta da Praia. O lançamento dos sedimentos será na quadrícula 1 da nova área de descarte oceânico autorizada pelo Ibama.
Esperada há pelo menos uma década, a dragagem de aprofundamento dará a Santos uma nova condição de atendimento de navios. A partir do empreendimento, o Porto poderá receber embarcações com capacidade de transporte de até 9 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), ou seja, 3,5 mil a mais do que a atual.
De acordo com a Codesp, o primeiro trecho das obras, da Barra, na entrada do canal de navegação, até o Entreposto de Pesca, na Ponta da Praia, será concluído até o final de abril. Mas, somente dois meses depois, quando o chamado trecho 2 ¬ do Entreposto ao Armazém 25 ¬ do projeto for concluído, os usuários terão condições de movimentar mais cargas por navio.
A previsão do consórcio Draga Brasil, escolhido pela SEP na licitação da obra, por R$ 199,5 milhões, é que todo o complexo atinja a profundidade de 15 metros em nove meses após o início, ou seja, em novembro. Neste período, haverá a necessidade também de alargar a calha de navegação, de 150 metros em média para 220 metros. Nas curvas, mais 40 metros serão abertos, para ampliar a segurança dos cargueiros.

DRAGAS
O aprofundamento utilizará três dragas. Inicialmente, a Han Jung 5001, com capacidade de transporte de 5 mil metros cúbicos de lama na cisterna, fará o serviço.
Até o final deste mês, o consórcio enviará uma segunda draga, maior, com capacidade para13.500 metros cúbicos de sedimentos. Uma das maiores em operação no mundo, a Xi Hai Hu está no Rio de Janeiro passando por reparos.
A terceira draga já está em Santos. A embarcação Han Jung 3001, de3 mil metros cúbicos, faz a manutenção da profundidade do canal de navegação.

Codesp irá retirar obstáculos
Não será só a dragagem de aprofundamento que ampliará a capacidade do Porto de Santos. Obras complementares, para a retirada de obstáculos encravados no solo do estuário, serão realizadas paralelamente ao serviço.
Três intervenções vão viabilizar a dragagem. A primeira e mais conhecida é a retirada do navios grego Ais Giorgis, afundado há mais de três décadas no Canal do Estuário.
A Codesp planeja concluir ainda este mês o plano de retirada dos restos da embarcação. E, com ele, lançar uma licitação para a remoção, o que deve acontecer no próximo mês. A segunda ação mais emblemática é a derrocagem das pedras do Teffé e do Itapema, localizadas respectivamente na direção do Armazém 25, no lado santista do estuário, e do Armazém 12, porém na margem de Guarujá.
A Secretaria Especial de Portos (SEP) deverá aplicar em torno de R$ 29 milhões na destruição das duas pedras. Por fim, haverá a necessidade de desenterrar três tubulações desativadas do leito marinho que ficam entre as regiões portuárias da Ilha Barnabé e do Saboó.11

Terminais planejam ampliação
A dragagem de aprofundamento provocará uma verdadeira onda de investimentos e otimismo no Porto de Santos. E os terminais do complexo planejam obras para ampliar suas capacidade, afim de atender o aumento de movimentação previsto.
Um deles é a Libra Terminais. A arrendatária dos terminais 33 ao 37 quer aumentar ainda mais sua capacidade com a unificação de suas áreas, ocupando o espaço existente entre os terminais 35 e 37, o que possibilitaria o alinhamento dos berços de atracação e até a parada de mais navios.
Há também empresas que esperam a dragagem para aumentar as operações no retroporto. Esse é o caso da Bandeirantes, que acredita em mais trabalho a cada navio de grande porte que chegar a Santos. O mesmo vale para a Deicmar, que prevê embarques mais ágeis de veículos e cargas especiais em suas instalações. Já a Caramuru Alimentos,operadora dos armazéns 39 e 40 externos, vai aproveitar o aumento de cargas que a dragagem trará às instalações para intensificar o uso da ferrovia para o transporte de suas mercadorias. No complexo graneleiro TGG-Termag, na Margem Esquerda (Guarujá), a expectativa pela dragagem também é grande. De acordo com o diretor da Fertimport, empresa que pertence ao grupo controlador dos terminais, Paulo Naef, a partir do aprofundamento será possível operar plenamente navios cape size.
Hoje, uma embarcação deste porte não consegue completar o carregamento em Santos, sob o risco de encalhe. Assim, é necessário preencher cerca de 40% dos porões em outros portos.

Instituto observará se dragagem no Porto causa impacto nas praias
A dragagem de aprofundamento do Porto de Santos, prevista pela Secretaria Especial de Portos para começar domingo, às 8 horas, será acompanhada de programas ambientais, exigidos na licença de instalação concedida pelo Ibama. A ideia é diagnosticar impactos causados pelo empreendimento. Um dos focos de investigação será o efeito das obras nas praias. Por isso, um monitoramento (que já começou) de toda as praias de Santos, além do Goes, em Guarujá, e do Itararé, em São Vicente, ocorrerá até dois anos depois de finalizados os serviços.
A avaliação das praias ficará sob responsabilidade da pesquisadora do Instituto Geológico de São Paulo, Célia Regina de Gouveia Souza. Ela estará hoje na região conversando com universitários que participarão do monitoramento e também com moradores da Praia do Goes. Uma primeira avaliação já ocorreu em janeiro.
O centro do trabalho de Célia será medir a erosão (falta de areia) das praias. Geóloga pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP),com mestrado em Oceanografia Geológica e doutorado em Geologia Sedimentar, ela é especialista no assunto e já vem monitorando as praias do Estado há anos.
"Algumas já têm muita erosão, como a do Goes e a Ponta da Praia", explica. "E com certeza essa erosão pode aumentar (com a dragagem)". O Canal do Estuário vai passar de 13,3 metros de profundidade, em média, para 15 metros, e de 150 metros de largura para 220 metros.
Determinar o tamanho do impacto agora, tentando se antecipar a situações mais críticas, é impossível, segundo Célia. Isso porque a equação, que já é complicada (considerando também o que ocorreu até agora), leva em conta ainda processos naturais, como por exemplo períodos de ressaca.
Até mesmo os navios que começarão a passar pelo canal depois da dragagem poderão influenciar no já iniciado processo de erosão, segundo Célia. A ampliação da largura do canal permitirá a navegação em dois sentidos, enquanto o aprofundamento possibilitará a passagem de embarcações maiores (de até 9 mil TEUs). Hoje o Porto de Santos recebe navios de 5.500 TEUs.
Como o objetivo do trabalho é também indicar medidas que reduzam os impactos, Célia explica a importância de iniciar a investigação antes, com o aprofundamento das informações históricas. "É óbvio que parte desse processo não é responsabilidade dessa obra". Célia entende que é importantíssima a participação da comunidade na coleta de informações para o monitoramento. No caso da Praia do Goes, por exemplo, "metade já está comprometida e eles têm essa percepção".

MENSAL
Segundo Célia, acontecerão uma vez por mes as campanhas com coleta de informações para traçar um perfil da praia e entender a dinâmica costeira (medidas de direção das ondas e dos ventos, coleta de sedimentos para identificar ciclos de maré, entres outras ações).
Célia não limitará o monitoramento à Ponta da Praia e ao Goes. A pesquisa incluirá as demais praias de Santos, até o Itararé, em São Vicente. Nesse trecho há um único contexto oceanográfico.
"A erosão não é um processo estático e não depende só de um fator"
Célia Regina de Gouveia Souza, pesquisadora do Instituto Geológico de São Paulo
O Instituto Maramar, ONG responsável por uma pesquisa sobre a erosão do Goes, em Guarujá, considera uma vitória o Ibama exigir monitoramento das praias associado à dragagem de aprofundamento do Canal do Estuário. Concretizada, a ação coloca lado a lado conceitos que até então pareciam antagônicos: preservação e desenvolvimento.
"O Ibama acolheu uma medida que é típica de planejamento",pondera o diretor da ONG, o oceanógrafo Fabrício Gandini. Mas, para a conquista do Maramar ficar ainda mais completa, é preciso que os relatórios gerados como acompanhamento do processo sejam colocados à disposição da comunidade. Fabrício entende que a comunidade do Goes deve exercer um controle social sobre os dados. "Os resultados têm que ser da praia", defende. "A gente precisa ter acesso às informações para tomar decisões". No caso da Praia do Goes, os dados do monitoramento podem inclusive auxiliar no projeto de um novo píer.

AOS POUCOS
Segundo Fabrício, a areia do Goes vem encolhendo aos poucos. "A praia já diminuiu 50% de sua extensão". O fato foi comprovado por uma pesquisa do Maramar junto à comunidade do local. Durante três meses, integrantes da ONG recolheram relatos de moradores e fotos da praia de três décadas.
Comparando as imagens e as informações, eles comprovaram que a faixa de areia que já estava passando por processo de redução, diminuiu muito nos últimos dez anos.
A ONG associou as mudanças principalmente às dragagens de manutenção do Canal do Estuário, realizadas periodicamente para garantir a navegação. Por isso, Fabrício considera importante o fato de o Ibama ter acatado solicitação do Maramar, já que o monitoramento das praias durante as obras possibilitará uma restauração do dano ambiental. Ele entende que o trabalho não tem a intenção de inviabilizar a dragagem, mas significa "voltar o olhar para o interesse público".

EXIGÊNCIAS
A licença de instalação, concedida pelo Ibama para as obras de dragagem em 26 de novembro do ano passado, tem11condições específicas relacionadas aos impactos ambientais diagnosticados para o empreendimento.
Os monitoramentos e programas ambientais serão acompanhados pelo Ibama em vistorias periódicas (a partir do início das atividades) e com a entrega de relatórios semestrais por parte do empreendedor. Os resultados dos diagnósticos estarão disponíveis no site do órgão.
Conforme o Ibama, qualquer irregularidade constatada é de responsabilidade do empreendedor (Secretaria Especial de Portos/Codesp), ficando a obra passível de embargo, dependendo da gravidade da situação. Medidas de correção podem ser exigidas.